Tecendo e costurando...

Há pelo menos 3 anos venho resgatando e costurando lembranças e aprendizados de minha infância.
Sempre gostei de usar as mãos e com ela criar...
Minha vó, costureira, benzedeira e bordadeira, me mostrou os primeiros pontos, as primeiras costuras e as primeiras procissões...
Minha mãe, dona de casa, costureira e agora "bordadeira", me ensinou agora, mais adulta, as costuras à máquina (que antes não sabia fazer).
Criar uma escuta para as descobertas do que podemos fazer com às mãos, é dar liberdade para que o misterioso e oculto posso aflorar e trazer ao mundo uma dimensão lúdica e surpreendente.



Abaixo um poema daquela que mexe com linhas,  tecidos e tramas:


A costureira
(Eucanaã Ferraz)

Ela ouve o tecido, ela pousa 
o ouvido, ela ouve com os olhos.
À fibra e ao feixe interroga

sobre o que se entrelaçara, 
distinguindo a linha, o intervalo, 
o vão, o entreato, atenta

para o que na fala geométrica 
e repetida dos fios é um outro 
vazio: o de antes da trama, ato

anterior ao enredo; óculos
postos para a escuta, a escuta 
desfia-se no vento, o olho

flutua, folha, flor, agulha;
fecha os olhos; ouve
com as pontas dos dedos;

indaga do tecido o modo, 
os limites, a função, a oficina,
a forma que ele quer ter,

a coisa, a casa que ele quer ser; 
e costura como quem à mão 
e à máquina descosturasse

o dicionário, rasgando em moles 
móbiles seus hábitos, o vinco 
de sua farda.

Comentários

  1. Amei, Fátima, também sou tecedeira, costureira e bordadeira, desde os 5 anos de idade e nunca mais parei...O trabalho com as mãos me ancora no mistério da vida e da criação.
    Tenho um projeto para o ano que vem que envolve o tecer, em breve vou divulgar...
    Bjs

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    Respostas
    1. Gratidão querida. Sempre estive presente no meio das costureiras e bordadeiras. Minha avó benzedeira e costureira foi sempre uma grande referência em minha jornada. E nos últimos anos na jornada do feminino, senti o um grande chamado para o tecer e o costurar...
      Bjs

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  2. Respostas
    1. Oi Cris, posso dizer que ele apareceu...
      Estava fazendo um desenho para um módulo de danças circulares de um curso de uma amiga no intuito de representar várias mulheres e ele foi se configurando... Foi tão significativo e simbólico, que percebi que poderia representar a síntese do meu trabalho. Beijos

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